terça-feira, 24 de julho de 2012

Desabafo do cepticismo sentimental

Não me conte histórias de amor, já não quero ouvi-las. Não me peça para amar, já não atendo a pedidos vagos. Não me diga palavras bonitas, elas já não me convencem. Não insista para que eu fique, as insistências me perturbam.
Não ouvirei outra história senão a da vida. Não amarei o que me for pedido. Não acreditarei em palavras que não forem as que cantam a realidade ainda que feia, nua e crua. Não ficarei, não reprimirei meu espírito itinerante.
A realidade é tão vasta, não nos afastemos. A razão é tão forte, não a deixemos. Venha até mim, sente-se ao meu lado e me conte a verdade, me diga sem engambelanças o que quer. Sou o hoje, apenas o hoje. Vivo o que se prova e nada além disso. Não me convença, me mostre. Sou céptica, sentimentalmente céptica, vivo o paradoxo realista. Não me venha com histórias de amor.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dialética da vida

O vento gelado matratando meu rosto. Um calor interno explodindo meu ser. A visão de um monte defronte a um vale. A saudade vazia. O medo covarde.
Paradoxos e antíteses brigando dentro de mim e constituindo a paisagem sinestésica encontrada por meus olhos vazios e associada por meus neurônios ativos. Uma tentativa gritante de reconstruir um vazio e nesse vazio a completude do que se perdeu no ar...  Nas pulsalinimidades ocultas encontro o que fui. Talvez por jamais ter sido, talvez por jamais ter perdido. E por fim, em meio a encontros e desencontros entendo a verdade gritante e conclusiva de que a vida talvez seja o próprio paradoxo mascarado pela antítese do viver. Meus olhos enxergam a vida, meu ser sente o vazio. Estou completa.