sábado, 31 de março de 2012

Medos

Sinto medo... De uma insegurança segura, de uma saudade utópica, de um vazio nostálgico.
Sinto medo... De sentimentos cortantes, da ilusão cruel que desatina nas lacunas ocultas de espaços vazios feridos dentro de mim, e me faz calar.
Sinto medo... Do ser descartável que sou. Uma possibilidade dentre tantas, descartabilidade cruel que me remete ao nada.
Sinto medo... Ao ver o tempo que passa, e a continuidade cíclica de um viver incompleto, que existe com ou sem minha presença.
Sinto medo... Quando olho pra fora, e olho pra dentro e meus pés não tocam o chão, e minha visão é turva devido as muitas lágrimas já cristalizadas.
Sinto medo... De gritos mudos a ouvidos surdos, de superficialidades que calam fetiches profundos. De falar a quem não quer ouvir.
Nessa escuridão, com as mãos geladas apalpo um corpo meu que se desfaz de matéria. As sombras da lua e a penumbra existencial. Lanço ácidos de dor sobre quem sou, e me vejo abandonada ao infinito. Sou nada, me desfaço e refaço nas entrelinhas da visão de quem sequer me vê. Uma pedra, dentre milhares, sem nada a oferecer.

sábado, 17 de março de 2012

Sorrio

Sorrio. Porque a vida é bela e o viver passageiro.
Sorrio. Porque a esperança existe.
Sorrio. Porque a grama é verde, porque os pássaros cantam e o céu é tão azul quanto o mar.
Sorrio. Porque há tristeza e as lágrimas a lavam.
Sorrio. Pelo instante, pelo segundo, pelo infinito.
Sorrio. Por você, por nós, pelo tudo e pelo nada.
Sorrio. Pelos sonhos, pelas decepções, pelo reerguer-se.
Sorrio. Porque vivo, porque me surpreendo, porque não entendo.
Sorrio. Alegre e triste, sorrio ausente pelo vácuo do chorar.

Peço-te

Quando o brilho ofuscante de um sol enfervecente ofuscar meu ver, peço-te por favor, me dês a lua. A lua que ninguém viu, a lua que o sol apagou, a lua que o dia levou.

Quando a euforia tomar conta de mim, e invadir meu ser, e a alegria parecer eterna, peço-te por favor, me dês as lágrimas. As lágrimas jamais choradas, as lágrimas cristalizadas. Meu choro gritante, a dor cortante, tão passageira quanto o é o sorrir.

Quando nada faltar e o completo se estagnar, peço-te por favor, me dês a falta, me dês o incompleto. O incompleto que completa e preenche as lacunas vazias de um espaço esgotado dentro de mim.

Quando o dia for claro, peço-te por favor me dês a penumbra. A penumbra que esconde e oculta o que a luz outrora revelou, a penumbra que tão fria aquece, e que tão invasiva protege.

E quando quiseres ir, olharei pra ti, e chorarei em mim. Te deixarei ir, levando meu sorriso triste, meu olhar vazio e minhas lágrimas secas. Acharás-me enfim. Te verei ir, e gritarei muda a um ouvido surdo. Entre nós o silêncio de um despedir-se involuntário, te deixarei ir, levando a mim... E quando fores, peço-te por favor, me dês o ver-te voltar.

domingo, 4 de março de 2012

Texto de opinião - Vácuos tecnológicos-

O advento de um mundo pós moderno e uma sociedade globalizada trouxe nos reflexos de sua tecnologia a desunião de pessoas unidas pelo mesmo espaço, contudo separadas pelas barreiras do imergir-se em um mundo mais extenso cujas fronteiras não são bem definidas; - fronteiras essas de um mundo virtual-.
O contexto do homem do século XXI é marcado por uma evolução assombrosamente rápida de aparelhos tecnológicos que ao passo que evoluem em recursos, evoluem simultaneamente no que desrespeito ao poder exercido sobre aqueles que supostamente seriam seus donos. Não é grande a dificuldade em encontrar nas reuniões familiares ou reuniões de amigos, pessoas voluntariamente excluídas do convívio social, trocando-o pela virtualidade portátil. Como resultado, observa-se relacionamentos sustentados por colunas lânguidas na emergência de um desabamento repentino.
O grande mal dos dias atuais está na ignorância e na incapacidade de controle e imposição de limites. Ora é o homem dono do aparelho, ora é o aparelho dono do homem. Os limites que se separam ambos os estados estão cada vez mais tênues.
A problemática envolvida em todo esse contexto está em apesar de termos ganhado facilidade de informação e interação social online, havermos todavia perdido algo provavelmente tão abstrato quanto o são os limites desse mundo tecnológico. Perdemos o contato humano. Tornamo-nos frios, esvai-se de nós parte de nossa humanidade.
Que ouça-se os longínquos estertores de um fragmento nosso que se dissolve nas mudanças sociais e nos deixa um vácuo perturbante. Que saiba-se estabelecer prioridades e concilia-las ás transformações de nosso tempo.

A existência do inexistir

Quando os olhos insistem em olhar sem ver, e quando a dor desatina sem doer, meus olhares cheios percorrem espaços vazios e lágrimas secas rolam pela face oculta que ignoro existir.
Quando a antítese da vida é viver e me encontro imersa em uma falta de sentido completa, meu ser inexistente insiste em voltar a vida e me remete as lágrimas jamais choradas, lágrimas cristalizadas de um ser que não é. Meus sonhos se desfazem e se refazem em um ir e vir infinito que jamais existirá.
E percebo por fim que o inexistir é a utopia engambelante de um reflexo ignorado do incompleto.

sábado, 3 de março de 2012

Mãe...

Quero que você seja eterna.
Quero te levar comigo quando os anos se passarem, quero sentir o seu abraço e quero ver o seu sorriso que tão sincero me remete a introspecção.
Quero acordar no meio da noite e te ver ajoelhada aos pés da minha cama e quero ouvir a sua voz balbuciar meu nome em suas orações.
Quero chegar em casa e ouvir você me perguntando como foi o meu dia.
Quero contar pra você a minha vida e te pedir conselhos.
Quero que você me ensine a resiliência.
Quero que você me ensine o que é amar. E que quando os questionamentos invadirem o meu ser subjetivo, e o sentimento feminista extremista ofuscar o sentido do amor e eu não conseguir entender, quero ouvir você me dizendo que amar é uma entrega mútua, quero ver o amor saltando dos seus atos, e quero entender que no amor está a própria liberdade.

Te levo mãe, todos os dias. Quando a insegurança e a incerteza me fazem temer, a sua voz ressoa no espaço e no tempo, no vácuo de minhas inseguranças, e ainda canta pra mim, e ainda ouço a voz que em frente ao piano da sala de jantar na nossa casa em Maringá cantava "filinha dorme e dorme em paz, Deus cuidará de nós, não chores mais e dorme bem, Deus velará por nós."
Eu te levo mãe, por onde quer que eu vá. O tempo debalde fará lânguida minha memória, eu te guardo dentro de mim, eu te levo no que sou.