Olho e não vejo. Busco dentro de mim algo a que me apegar, mas há um vácuo. Não há nada, perde-se tudo, tudo se desfaz.Onde está minha alma? Onde estão meus sentimentos? E aquele vazio tão distante, e as lágrimas que já não choram. O que fazer?
Escrevo. E as palavras subitamente se ligando, e as frases inesperadamente se formando, e aquele vazio que salta das entrelinhas dos textos, e os desenhos das grafias, e as conjunções, advérbios, verbos, e as orações... Tudo me devolve a mim, a morfologia sintática dos textos me devolve aquilo que sou e que jamais serei. Encontro a minha alma perdida em meio as palavras. Religo as palavras sem ordem e reconstruo dentro de mim uma ponte que une dois seres, dois opostos distantes, ausentes, chocantes...
Me perco quando escrevo, talvez porque o perder e vagar sem rumo seja uma inevitabilidade do meu próprio viver, me perco porque é apenas mediante a perda que consigo encontrar. Encontrar o que se foi, o que se vai e o que há muito inexiste.
Ah, palavras... Em uma coesão sintática se formando em minha frente. O poder de manipulá-las, o poder de encontrar aqueles raios refletidos de mim nelas. Ah, palavras... Vocês me encontram, tenho em vocês a mim e em mim a vocês.