domingo, 29 de abril de 2012

Aquela surda ausência assimilada

Há palavras que foram feitas pra jamais serem pronunciadas. Há letras que se unem no vazio inexistente e deixam em nós um vácuo tão perturbante quanto a própria inexistência.
Sinto vontade de gritar, sinto vontade de esclarecer, sinto vontade de implorar. Mas as palavras se formam no vazio. Entre nós o silêncio que jamais será desfeito, e uma distância que aumenta perturbantemente. Promessas quebradas soam como mentiras, o ocultar soa covardemente absurdo. E uma raiva que se converte em compaixão, e uma dor que se converte em alegria, por saber que no final de tudo aquilo que se foi há aquilo que ficou. As lembranças que me fazem descrer em tudo. E vendo uma distância ameaçadora e um caminho que te leva até a alegria, sinto o inédito se formando em mim, aprendo a querer. O querer vem cruelmente me matando, e o não querer subitamente me refaz. Não sei o que houve, não sei o que há. E as perguntas que tento fazer se constroem no vácuo. Entre nós o silêncio de um despedir-se involuntário. Te deixo ir, e observo distantemente ausente aquilo que um dia foi parte do que sou, e o teu ir me prova que eu jamais fui. A minha ausência assimilada que me trazendo até mim me aproximou da distância. A utopia que se constrói, jamais se desconstruirá. E as perguntas se formando e as palavras se criando... No vácuo. Permaneço calada, já não se pode gritar àquela surda ausência assimilada. Me despeço com um olhar distantemente amigo que perseguirá minhas reminescências. Sou pedra.