terça-feira, 29 de maio de 2012

Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento?


Os tempos modernos que nos foram reservados levam-nos a crer que alcançamos, enfim, alto nível de conhecimento. Uma tecnologia avançada e séculos de estudos históricos nos movem a olhar o passado com ar de superioridade, crendo termos conquistado tempos melhores. Todavia se acreditamos  assim, ignoramos nossas falhas e ludibriamos nossa razão. E se nos julgamos sabedores de toda a ciência e portadores de toda a informação  é porque talvez tenhamos perdido a sabedoria.
 Em nossas críticas sociais, pautadas no que temos estudado, voltamo-nos até as civilizações da idade média e nos deparamos com um estado teocrático, no qual se oprimia em nome da fé e se justificava uma sociedade estamental, injustamente repartida, em Deus. Rebelamo-nos contra esse modelo e em nossa rebeldia  colocamos toda a culpa de uma sociedade injusta na fé. Generalizamos os fatos e classificamos a crença religiosa como uma manifestação ingênua praticada por seres ignorantes e incentivada pelo estado como forma  de manipular um povo oprimido. Com base nisso a excluímos  de nossas vidas, crendo estarmos assim nos píncaros da razão. Esquecemo-nos, portanto, que esse elemento de nós arrancado é a base capaz de nos sustentar em momentos de imprevisibilidade e que sem ele  pouco nos resta para viver em meio às periclitâncias inerentes a própria existência.
Em meio às lutas e às dificuldades enfrentadas não nos sobra nada a que nos apegarmos. Em nossa busca por uma constituição da personalidade, foi-nos tirada a base. Em que basearmos nossas condutas se já não temos pilares sólidos de sustentação? No que crer quando a efemeridade do tempo nos atinge e nos deparamos com o fim? Onde está a esperança que nos imprime a resiliência? Onde a fé que nos motiva a vida? Resta-nos um vazio existencial tão extenso  quanto aquele espaço que em nós deveria ser ocupado por Deus. Estamos vazios, perdemos o rumo. Nosso suposto conhecimento deixou-nos  em um estado de completa penumbra.
A pergunta que dia-a-dia insiste em ressoar nas entrelinhas de nossas lacunas é “onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento?” Em nosso afã pelo saber científico ignoramos aquilo que nos é essencialmente necessário. Generalizamos em demasia. Assumimos  conclusões precipitadas e agimos com base nelas. O desespero e a angústia hoje nos servem para provar que a sabedoria há muito tem andado distante. Tornamo-nos escravos de uma razão incoerente.
O que falta enfim, senão o apelo à sabedoria? O que nos resta, senão o grito altissonante e forte que nos desperta para a necessidade de mudanças em nossa maneira de enxergar a fé?  O que nos resta a não ser a conclusão translúcida de que é preciso elevar Deus como a base de nossa conduta o introduzindo a aspectos práticos de nosso viver diário? Só assim enfrentaremos os desafios aos quais estamos circunflentes  com a força que vem do que nos é interno, com a força que provém da fé em Deus. Deus hoje nos é necessário.