Os tempos modernos que nos foram
reservados levam-nos a crer que alcançamos, enfim, alto nível de conhecimento. Uma
tecnologia avançada e séculos de estudos históricos nos movem a olhar o passado
com ar de superioridade, crendo termos conquistado tempos melhores. Todavia se
acreditamos assim, ignoramos nossas
falhas e ludibriamos nossa razão. E se nos julgamos sabedores de toda a ciência
e portadores de toda a informação é
porque talvez tenhamos perdido a sabedoria.
Em nossas críticas sociais, pautadas no que
temos estudado, voltamo-nos até as civilizações da idade média e nos deparamos
com um estado teocrático, no qual se oprimia em nome da fé e se justificava uma
sociedade estamental, injustamente repartida, em Deus. Rebelamo-nos contra esse
modelo e em nossa rebeldia colocamos
toda a culpa de uma sociedade injusta na fé. Generalizamos os fatos e classificamos
a crença religiosa como uma manifestação ingênua praticada por seres ignorantes
e incentivada pelo estado como forma de
manipular um povo oprimido. Com base nisso a excluímos de nossas vidas, crendo estarmos assim nos
píncaros da razão. Esquecemo-nos, portanto, que esse elemento de nós arrancado
é a base capaz de nos sustentar em momentos de imprevisibilidade e que sem ele pouco nos resta para viver em meio às
periclitâncias inerentes a própria existência.
Em meio às lutas e às
dificuldades enfrentadas não nos sobra nada a que nos apegarmos. Em nossa busca
por uma constituição da personalidade, foi-nos tirada a base. Em que basearmos
nossas condutas se já não temos pilares sólidos de sustentação? No que crer
quando a efemeridade do tempo nos atinge e nos deparamos com o fim? Onde está a
esperança que nos imprime a resiliência? Onde a fé que nos motiva a vida?
Resta-nos um vazio existencial tão extenso quanto aquele espaço que em nós deveria ser
ocupado por Deus. Estamos vazios, perdemos o rumo. Nosso suposto conhecimento
deixou-nos em um estado de completa
penumbra.
A pergunta que dia-a-dia insiste
em ressoar nas entrelinhas de nossas lacunas é “onde está a sabedoria que
perdemos com o conhecimento?” Em nosso afã pelo saber científico ignoramos
aquilo que nos é essencialmente necessário. Generalizamos em demasia. Assumimos
conclusões precipitadas e agimos com
base nelas. O desespero e a angústia hoje nos servem para provar que a
sabedoria há muito tem andado distante. Tornamo-nos escravos de uma razão
incoerente.
O que falta enfim, senão o apelo
à sabedoria? O que nos resta, senão o grito altissonante e forte que nos
desperta para a necessidade de mudanças em nossa maneira de enxergar a fé? O que nos resta a não ser a conclusão
translúcida de que é preciso elevar Deus como a base de nossa conduta o
introduzindo a aspectos práticos de nosso viver diário? Só assim enfrentaremos
os desafios aos quais estamos circunflentes com a força que vem do que nos é interno, com
a força que provém da fé em Deus. Deus hoje nos é necessário.