quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ausência

Algumas vezes me pego olhando pro vácuo. São olhares vazios, ausentes do mundo, presentes pra mim. São nestes raros momentos que me esvazio do exterior e me prendo ao meu infinito interior. Estou ausente e presente. Talvez seja por isso que Carlos Drummond escreveu que "não há falta na ausência, a ausência é um estar em mim."
Passamos anos de nossas vidas estudando átomos que nunca iremos ver, mas não aprendemos a decifrar as inquietações de nosso próprio ser. Somos estimulados pelo mundo e cobrados incessantemente, mas não somos capazes de nos ausentarmos um pouco e darmos um tempo pra nos entendermos. Nos tornamos alienados, somos mais comparáveis a máquinas ou robôs do que a seres humanos. Pois nos falta a nós mesmos, falta a nossa essência, e essa lacuna é tudo.
A ausência neste contexto faz-se necessária, pois ela não se mostra como uma falta, se mostra como a presença. Enquanto em meio a rotina causticante do dia a dia nos esvaimos e nos ausentamos de nós, a ausência nos traz novamente pra nosso ser. É tanto falta quanto presença, é tanto paradoxo quanto antítese.