quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O tempo da vida

"A palavra cortada
Na primeira sílaba
A consoante esvanecida
sem que a língua atingisse o alvéolo.
O que jamais se esqueceria
Pois nunca principiou a ser lembrado.
O campo- Havia, havia um campo?
irremediavelmente murcho em sombra
antes de imaginar-se a figura
de um campo.

A vida não chega a ser breve" Carlos Drummond Andrade

"A vida não chega a ser breve", não poderia ser. A proximidade do fim faz com que tudo se pareça breve. Pudéssemos viver mil anos, e ao findar esses mil anos ainda diriamos que a vida foi mero sopro, mera ridicularia. Não é a vida que é curta, é o fim que torna o tempo decorrido anteriormente insignificante perante o abismo da morte. Ao se comparar o tempo da vida com outros tempos, a vida se mostra longa. Entretanto quando enxergamos seu remate, observamos a efemeridade do tempo. "A vida não chega a ser breve", talvez seja o tempo, que quando analisado sob as óticas de outros referenciais, se mostre extremamente ilusório, extremamente engabelante e extremamente inconstante.