sábado, 5 de novembro de 2011

Beleza

Eu estava observando a rua, quando entrou em meu campo de visão uma senhora obesa e idosa que limpava a calçada de seu estabelecimento comercial. Vi aquilo e pensei- qual foi a vida dessa mulher? Será que algum dia ela já foi bonita?-. Enquanto meus pensamentos se formavam em minha mente, não pude deixar de observar a dedicação empregada por ela para realizar o seu trabalho árduo. E de repente pensei- Não há como saber se algum dia ela já foi bonita segundo os padrões sociais mas uma coisa é certa, existe beleza nessa senhora. E essa beleza não se silenciou com o tempo, nem com os seus cabelos brancos ou com as rugas, que são um lembrete constante da efemeridade da vida. Essa beleza transpôs as barreiras do tempo, e talvez por isso seja bela-.


O que é beleza? A observação da realidade me leva a crer que a beleza vai além do exterior. É algo mais profundo e mais subjetivo do que padrões de uma sociedade capitalista. Muitas vezes a beleza passa despercebida porque estamos circunflentes a uma alienação que nos move a acreditar que o belo está no exterior. Como resultado, adquirimos uma visão limitada.


Há pessoas bonitas por todas as partes. Por trás de rostos disformes - ora pelo tempo, ora pela própria natureza- muitas vezes existem personalidades belas. A vida seria mais bonita se nos permitissemos analisar essas belezas.


Olhei novamente para aquela mulher. Em cada ruga vi a beleza da luta . Em cada cabelo branco vi a beleza da experiência. E todas as vezes que ela limpava o suor e varria a calçada, vi a beleza da persistência. Vi uma mulher bonita. Ela não usava maquiagens, não vestia uma roupa atraente, não usava sapatos caros. Mas trazia em cada ato retratos de uma vida, e isso era o suficiente para torna-la bela. Mais bela do que mulheres bem vestidas e bem cuidadas, mais bela do que modelos e artistas. E era bela assim, por continuar lutando e vivendo.