segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Heroísmo

"Há efetivamente um heroísmo de virtude na altivez dessa mulher, que resiste a todas as seduções, aos impulsos da própria paixão como ao arrebatamento dos sentidos." Assim disse José de Alencar descrevendo a personagem Aurélia de seu livro Senhora.
Para o poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga " O ser herói, Marília, não consiste/em queimar os impérios: move a guerra,/espalha sangue humano,/e despovoa a terra/ também o mau tirano./ Consiste o ser herói em viver justo:/ e tanto pode ser herói o pobre,/ como o maior Augusto./"
Para Pedro Bial -"Eu lhes apresento os novos heróis"- se referindo aos participantes de um reality show.
Afinal, com tantas definições, o que é realmente heroísmo? Eu concordo completamente com José de Alencar e Tomás Antônio Gonzaga, ao passo que a definição de Pedro Bial é totalmente questionável.
Há heroísmo em viver de forma justa, e há heroísmo em postergar, em negar seus próprios desejos a fim de obter algo superior. Heroísmo é tudo isso. Heroísmo está no pai que acorda cinco horas da manhã para trabalhar e sustentar sua família. Há heroísmo na personagem Aurélia, ao rejeitar a pessoa que gostava a fim de evitar sofrimentos futuros. E há heroísmo em alguém que rejeita os caminhos desonestos com o intuito de simplesmente se tornar uma pessoa confiável e honesta.
Atos heróicos, como já dizia Gonzaga, não estão apenas em grandes conquistas, estão nas decisões simples do dia a dia.