sábado, 31 de março de 2012

Medos

Sinto medo... De uma insegurança segura, de uma saudade utópica, de um vazio nostálgico.
Sinto medo... De sentimentos cortantes, da ilusão cruel que desatina nas lacunas ocultas de espaços vazios feridos dentro de mim, e me faz calar.
Sinto medo... Do ser descartável que sou. Uma possibilidade dentre tantas, descartabilidade cruel que me remete ao nada.
Sinto medo... Ao ver o tempo que passa, e a continuidade cíclica de um viver incompleto, que existe com ou sem minha presença.
Sinto medo... Quando olho pra fora, e olho pra dentro e meus pés não tocam o chão, e minha visão é turva devido as muitas lágrimas já cristalizadas.
Sinto medo... De gritos mudos a ouvidos surdos, de superficialidades que calam fetiches profundos. De falar a quem não quer ouvir.
Nessa escuridão, com as mãos geladas apalpo um corpo meu que se desfaz de matéria. As sombras da lua e a penumbra existencial. Lanço ácidos de dor sobre quem sou, e me vejo abandonada ao infinito. Sou nada, me desfaço e refaço nas entrelinhas da visão de quem sequer me vê. Uma pedra, dentre milhares, sem nada a oferecer.