O contexto do homem do século XXI é marcado por uma evolução assombrosamente rápida de aparelhos tecnológicos que ao passo que evoluem em recursos, evoluem simultaneamente no que desrespeito ao poder exercido sobre aqueles que supostamente seriam seus donos. Não é grande a dificuldade em encontrar nas reuniões familiares ou reuniões de amigos, pessoas voluntariamente excluídas do convívio social, trocando-o pela virtualidade portátil. Como resultado, observa-se relacionamentos sustentados por colunas lânguidas na emergência de um desabamento repentino.
O grande mal dos dias atuais está na ignorância e na incapacidade de controle e imposição de limites. Ora é o homem dono do aparelho, ora é o aparelho dono do homem. Os limites que se separam ambos os estados estão cada vez mais tênues.
A problemática envolvida em todo esse contexto está em apesar de termos ganhado facilidade de informação e interação social online, havermos todavia perdido algo provavelmente tão abstrato quanto o são os limites desse mundo tecnológico. Perdemos o contato humano. Tornamo-nos frios, esvai-se de nós parte de nossa humanidade.
Que ouça-se os longínquos estertores de um fragmento nosso que se dissolve nas mudanças sociais e nos deixa um vácuo perturbante. Que saiba-se estabelecer prioridades e concilia-las ás transformações de nosso tempo.