Eu tinha a vida nas mãos e o calor da descoberta no olhar. Não confie. Não ame demais. Não se entregue. Tome cuidado. Ame aos poucos. Cuide de você. Meus olhos contemplavam arregalados frases soltas. Tão arregalados quanto no dia em que viram pela primeira vez uma lágrima de tristeza. Procurei algo. O amor. Em qualquer momento. Em qualquer lugar. Eu precisava, suspirava, ansiava. Era tempo de ver o amor. Qualquer coisa. Qualquer ato. Qualquer sorriso. Era preciso amar em tempos de perigo. Era preciso se doar em tempos de solidão. E eu era assim. Sensível ao palpitar das vibrações. Fortes vibrações me consumiam. Eu procurei. Qualquer coisa. Qualquer coisa. Que me lembrasse amor. Não vi. Procurei mais. Estava distante. Era preciso amar com a vida nas mãos e o calor da descoberta no olhar. Mas não havia amor. Um homem gritando com uma mulher. A arrogância. O medo. Uma criança chorando sozinha. Indiferença. Não havia amor. Foi quando li. A terra está cheia do amor de Deus. E vi. Uma mulher perdoando um homem que gritava. Um arrogante pedindo desculpas. Um abraço de amigo. Uma mãe que voltou pra acalentar um choro infantil. Era amor. Digitais de Deus. Palpitando na sensibilidade das vibrações. Me fazendo sorrir. Complexo. Não, nada disso. Amável. Pedi a Deus que me fizesse amar. E Deus me deu a vida nas mãos e o calor da descoberta no olhar. E eu amei.