"[No documentário ilha das flores] O autor mostra de forma contundente como o sistema econômico, no qual estamos inseridos, contribui para a desigualdade e a indiferença com a necessidade alheia. Por meio de fatos corriqueiros, o autor narra a trajetória de alguns personagens divididos em classes sociais: uma dona de casa que vende produtos de beleza para ajudar no orçamento doméstico, um produtor de tomates, um fazendeiro e criador de porcos e finalmente os moradores da Ilha das Flores. Na narrativa, muitas informações são mostradas através de uma linguagem científica, cuja a intenção é a de “igualar” o ser humano por meio de descrições que denotam a raça humana. Contudo, mostra o desigual tratamento dado aos 'iguais' seres humanos, colocando-os inferiores aos porcos. "
http://www.youtube.com/watch?v=bVjhNaX57iA
A reflexão nos leva á crítica. Por qual motivo determinados seres humanos estariam no topo da cadeia, enquanto outros em um contraste estarrecedor estariam em condição inferior a de porcos? Onde exatamente se estabelece a diferença entre um e outro? Seria um mais humano que seu semelhante?
http://www.youtube.com/watch?v=bVjhNaX57iA
A reflexão nos leva á crítica. Por qual motivo determinados seres humanos estariam no topo da cadeia, enquanto outros em um contraste estarrecedor estariam em condição inferior a de porcos? Onde exatamente se estabelece a diferença entre um e outro? Seria um mais humano que seu semelhante?
A indagação do questionamento crítico me remete ao capital. Cruel fator distintor de graus de superioridade, que dá a um o direito de escolher seu alimento, e a outro a obrigação de se alimentar do que outrora fora rejeitado pelos porcos. Curioso poder avassalador, capaz de alterar a própria lógica racional e elevar animais em condição de superioridade em relação à pessoas.
A pergunta que ressoa em torno da minha mente e que em alto volume me impressiona é - até a humanidade realmente progrediu?-.
Tomás Hobbes, em sua teoria do contrato social, afirmava que o homem não civilizado é lobo de outro homem. Segundo ele, na falta da civilização há a falta da ordem, sendo assim, no instinto de sobrevivência, tornamo-nos "lobos" uns dos outros.
Partindo da ótica de Hobbes, o progresso da civilização não nos trouxe tantas mudanças. O que nos resta hoje é um sistema "lobo" de outros homens, que "devora" os que não se enquadram, e os que não se enquadram não o fazem pois sobre eles pesa a responsabilidade de sustentar o próprio sistema. Estranha ironia do progresso civilizado.
Até onde permitiremos que o "progresso" seja fator opressor de pessoas semelhantes, unidas pela condição humana e separadas pela condição financeira? Que se ouçam os longíquos estertores de uma classe social que clama por liberdade. Que se ouçam os gritos roucos, e as vozes mudas de seres humanos imersos na penumbra da miséria.